Tenho urgências na pele.
Tenho uma porção
De questões espinhosas
Sob as unhas.
Quando me coço
As urgências sangram.
Vou ao shopping em carne viva
E exponho meu tempo.
Não ganho nada,
Mas descubro o couro,
O fogo, a roda e o hambúrguer.
É isso que me faz ser gente
E o manequim
Mais gente
Do que eu?!
Fez
½
Segundo
E cantei parabéns.
Fez outro
½
Segundo
E cantei parabéns de novo.
Pode ser que eu morra
Ou
Que morra o meu amor
Ou
Que morra Jesus
E todos os anjos de pedra.
Pode ser! Quem sabe?!
Essas urgências
(lá vem o bonde!)
São de praia, talvez,
São de hospital, quem sabe,
Quem sabe?! Quem?!
- Os publicitários!
Responde o cadáver
Do General.
Mas não são pressas!
São urgências!
Não comem frio!
Comem pele!
Aos quarenta e cinco do 2º tempo
Alguém bate à porta.
Viro as costas e sai um gol.
Abro a porta e entra um velho:
E sai um sonho
E estrangula o velho
E o velho não grita
Não pede socorro
Só porque é velho
E passou do tempo
E entende urgências
Porque é de urgências
Que se fazem os velhos
Os viciados
E os finais de mundo.

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