terça-feira, 13 de dezembro de 2011

GRUNGE



Tenho urgências na pele.

Tenho uma porção
De questões espinhosas
Sob as unhas.

Quando me coço
As urgências sangram.

Vou ao shopping em carne viva
E exponho meu tempo.

Não ganho nada,
Mas descubro o couro,
O fogo, a roda e o hambúrguer.

É isso que me faz ser gente

E o manequim
Mais gente
Do que eu?!

Fez
½
Segundo

E cantei parabéns.

Fez outro
½
Segundo

E cantei parabéns de novo.

Pode ser que eu morra
Ou
Que morra o meu amor
Ou
Que morra Jesus

E todos os anjos de pedra.

Pode ser! Quem sabe?!

Essas urgências
(lá vem o bonde!)
São de praia, talvez,
São de hospital, quem sabe,

Quem sabe?! Quem?!

- Os publicitários!
Responde o cadáver
Do General.

Mas não são pressas!
São urgências!
Não comem frio!
Comem pele!

Aos quarenta e cinco do 2º tempo
Alguém bate à porta.

Viro as costas e sai um gol.

Abro a porta e entra um velho:

E sai um sonho
E estrangula o velho
E o velho não grita
Não pede socorro
Só porque é velho
E passou do tempo
E entende urgências
Porque é de urgências
Que se fazem os velhos
Os viciados
E os finais de mundo.

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